Arquivo de julho, 2010

Ficha Limpa, casa limpa.

Publicado: julho 29, 2010 em Política, Sociedade

E não é que a lei da ficha limpa está começando a ser levada a sério. Jamais poderia imaginar que alguma lei nesse país seria levada a sério, ainda mais uma lei relacionada com a honestidade dos candidatos a cargos públicos. Mais difícil ainda é acreditar que um homem público do calão de Maluf, tornou-se vítima desta lei.

Imagina se eu, pobre de criatividade como sou, imaginaria um cenário como esses. Maluf impedido de candidatar-se novamente simplesmente porque responde a alguns pequenos processos na justiça. A maioria destes por crimes que ele nem sabia que estavam sendo cometidos. Penalizado pela ingenuidade. O homem que não sabe de onde veio o dinheiro, nem a quem pertence, agora está impedido de continuar a exercer sua profissão. Depois quando o cidadão, impedido de trabalhar, se revolta e parte pro crime todo mundo quer crucificar.

O fato é que até aqui fala-se de 238 impugnações de candidaturas baseadas na Lei da Ficha Limpa, contando apenas 12 estados e o Distrito Federal. Esse número pode muito bem chegar perto de 500 até o pleito. Mesmo com o disparate do TRE do Maranhão que resolveu, baseado no princípio de irretroatividade, não aplicar a nova Lei. Tudo bem. Afinal de contas, quem roubou antes da Lei da Ficha Limpa pode muito bem ter se regenerado e prometido à sua mamãezinha que nunca mais vai fazer isto. Mas deixemos o bom coração dos juízes do TRE do Maranhão descansar em paz.

O Brasil dá um passo importante para o fortalecimento da democracia e para o limpeza da máquina pública (sempre quis usar este termo “máquina pública”, muito legal). Retirar os ratos e as baratas é fundamental para garantir a higiene de qualquer ambiente. Mesmo em tempos de pensamento ecológico, quando dizemos não à extinção das espécies, mesmo das mais peçonhentas, é necessário um manejo adequado das pragas, para garantir a saúde da população. Se nunca chegarmos a extinguir os ratos, ao menos podemos deixá-los fora de casa.

Anúncios

Êta coisa boa

Publicado: julho 4, 2010 em Filosofia, Sociedade

No dia 01 de junho de 2010 declarei aberta em minha agenda a temporada de forrós. Não, eu não podia escrever isso antes. E pensei seriamente em encerrar a temporada no dia 30 de junho, fim das festas juninas. Mas os meios lhe cercam.

Observei um fenômeno realmente interessante nestes dias. Quando você começa a frequentar determinado ambiente, ele passa a lhe acompanhar. Desde julho de 2009 eu  não era convidado para uma festa (falo de festas fora do círculo familiar), mas no primeiro forró que fui recebi convite para outros dois. Fui a um destes forrós e lá recebi outros três convites. E passei a ser convidado com mais frequência, de tal forma que tenho a agenda cheia até o início de agosto. Já começo a pensar em contratar uma secretária.

O que era pra ser só uma saída da rotina virou um ciclo vicioso. A cada festa que vou aparecem outras duas ou três. O homem só e enclausurado foi violentamente arrancado de seu claustro e lançado no mundo dos eventos. Não trata-se de uma queixa, apenas uma análise de como isso acontece. Os meios vão enlaçando os indivíduos. Exatamente, vão enlaçando. Um grupo esportivo ou religioso, roda de amigos, baile, profissão ou hobby. Pouco a pouco vão gerando pequenos compromissos correlatos que comprometem o indivíduo cada vez mais. E eis que acontece a inserção num grupo, ou mesmo a absorção do indivíduo pelo grupo.

Isso é fato social facilmente constatável. Tenho vívido isto. E não posso fazer juízo de valor. Não é bom ou ruim, é fato. Como filósofo preciso fazer essas considerações. Mas como forrozeiro só preciso dançar. Quer saber? Preciso ser sempre os dois. Curtir a vida como ela se me apresenta e vê-la com os olhos curiosos e espantados de quem quer conhecê-la muito mais.

Fala disso vc também.

Viva o dois de Julho

Publicado: julho 2, 2010 em Política

Eu moro num estado independente. Por isto hoje estou de folga para assistir ao jogo do Brasil. Só não sei como o Caboclo vai pras ruas de Salvador com a seleção jogando. Não importa. O que vale é que somos independentes.

No dia 2 de julho, de um ano que eu realmente não lembro pq faz muito tempo, as tropas brasileiras baseadas em várias cidades portuárias da Bahia expulsaram os últimos representantes da corôa portuguesa em solo tupiniquim. Bem, não sou historiador nem pretendo tornar-me, sempre achei história uma das disciplinas mais chatas do colélgio, talvez culpa das dedicadas professoras de história que me forçavam a decorar sentenças inteiras do livro fornecido pela FAE/MEC, mas acho que a independência do Brasil já havia sido declarada a alguns meses antes.

Peraê. Então a Bahia tornou-se independente do Brasil. Ou só tornou-se independente de Portugal depois. Primeiro o Brasil tornou-se independente e depois, só oito meses depois, a Bahia conseguiu chegar lá. Tipo assim, na hora da Independência do Brasil o baiano estava na rede tomando uma água de côco e não percebeu bem o que estava acontecendo. Se tocou de que havia algo errado lá pelos festejos de fim de ano. Mas aí estava perto do carnaval e achou melhor deixar esse negócio de Independência pra depois. Mas depois do Carnaval tem a quaresma e brigar na quaresma é sacrilégio. Passou a quaresma e vieram as Micaretas e finalmente no São joão, talvez confundidos pelo barulho dos fogos, lembraram-se que havia uma guerra acontecendo. Pronto, uns dias depois de São Pedro, que não podia ser profanado em atenção às viúvas, os baianos resolveram expulsar os portugueses e declarar-se independente. Isso ou foi apenas uma forma de garantir dois dias da Independência para fazer feriado.

Fizeram bem a tempo. Afinal, teriam só dois meses pra ensaiar o desfile de 7 de setembro. E esse negócio de parada militar dá uma canseira só.

Brincadeiras à parte, viva Maria Quitéria e todos os heróis baianos que encerraram os combates pela libertação do nosso país. Que o espírito de combate que moveu estes homens e mulheres nos impulsione a continuar o duro processo de libertação, que tantas vezes para retroagir, rumo a nossa real independência.