Arquivo da categoria ‘Comunicação’

O homem esfomeado, já nem sabe o que é um prato de comida. Faz tempo que vive de pequenas sobras que vai encontrando por ande passa. Outro dia encontrou um pedaço de pizza ao lado da lixeira do parque, um achado. Qualquer migalha de algo que lhe pareça comida o faz feliz. (mais…)

Acabo de retornar de viagem. Fui aproveitar o feriadão em Salvador. Muito legal rever a parte da família que mora na capital. Ir à praia também é legal. Mas este post não é pra falar da minha família ou do amor que tenho por ela. A intenção é falar de uma coisa que a muito me incomoda. Os frutos dos avanços tecnológicos hodiernos.

Os aparelhos celulares incorporaram em si funções das mais diversas. Eles fazem fotografias, filmam, gravam, estão repletos de jogos, acessam a internet, organizam sua agenda pessoal, controlam outros aparelhos eletrônicos, armazenam arquivos, tocam música, exibem TV e até fazem ligações. Sem falar de tantas outras coisas que o celular pode fazer. Enfim, quem tem um celular hoje não tem apenas um aparelho telefônico móvel, tem uma central de entretenimento de bolso para levar onde quiser.

Mas será que o que é entretenimento pra vc é divertido para todos? Tanta gente adora pular de paraquedas e eu fico tonto só de subir em uma cadeira. Será que é certo obrigar o outro a participar do seu momento de diversão? Colocá-lo na sua festa mesmo que ele não queira? Sinto-me exatamente assim quando encontro com alguém com o som do celular ligado no máximo, tocando o mais novo sucesso do pagodão baiano (que provavelmente envolve o ato de ralar alguma parte do corpo no chão). É como cair de paraquedas no meio de uma “Festa do P”* sem ter o direito de sair antes do fim.

Pior é quando isso acontece dentro do ônibus. A música, seja ela qual for, fica te perseguindo. Não a poltrona em que vc sente, sempre vai ouvi-la. E o “gosto musical” (musical?) é sempre parecido, Vc com certeza não ouvirá clássicos da MPB, genialidades da nova MPB ou a suavidade e poesia do pop, mesmo os grandes da axé music não aparecerão. Com certeza as opções variam entre o funk, o arrocha ou o pagodão. Dormir na viagem ou ler um livro sob o fundo musical ♪mexe o rabinho cachorra, mexe o rabinho cachorra♪ não é tarefa das mais gratas.

E existe uma lei para resolver a questão. A resolução AGERBA n.º 27/01 de 27 de novembro de 2001 no seu artigo 90, parágrafo VIII, determina que será impedido de embarcar ou retirado do veículo que fizer uso de aparelho sonoro após advertido pela tripulação. O celular, neste caso, é usado como aparelho sonoro (centro de entretenimento) e deve ser tratado como tal. Outros estados e municípios têm leis semelhantes, algumas delas, atualizadas, falam explicitamente do uso do celular.

Uma forma mais simples e amigável de resolver a questão é usar um dos milhares de recursos do celular, o fone de ouvido. Afinal de contas, o celular tornou-se uma central de entretenimento particular, privada, não coletiva ou comunitária. Assim quem quiser ouvir Justin Bieber poderá fazer isto sem causar um vômito coletivo dentro do ônibus.


*Festa do P: encontro de pagode baiano com bandas iniciadas com P (Parangolé, Psirico e outras que não lembro agora).

Clandestinos

Publicado: novembro 12, 2010 em Televisão

Normalmente não dou muita bola para as produções televisivas. Admito que gosto do Jô e do Luciano Huck, tá bom, gosto mesmo é do Lar Doce Lar, e gosto de desenho animado. O resto não prende muito minha atenção. Mesmo os telejornais eu substitui pelos canais de notícias da internet. Mas esta série (ou minisérie, não sei bem) da Globo deixa-me encantado.

Acabo de assisitr o segundo capítulo de Clandestinos. Acabo com o mesmo misto de emoção, nostalgia, diversão e ansiedade que experimentei no primeiro. A forma como são costuradas as histórias, os sonhos reais, de pessoas reais, é fascinante. Lirismo, erudismo e entrenimento mesclados a um humor gentil e sensível recobrem as cenas uma a uma, permitindo uma experiência sensorial marcante enquanto leve e bem dosada.

Se a história da mineirinha Adelaide, conquanto engraçada, fez-me chorar na estréia, agora o romance entre Edmilson e Chandelly gerou uma tempestade de emoções. O embate de identidades entre Gisele e Michele levanta questões primordiais, retomadas hoje em Chandelly, a velha pergunta: Quem sou eu afinal? A resposta parece vir ao se responder outra pergunta: Quem sou eu para o outro que me ama?

Ainda há histórias para conhecer e muita coisa para acontecer até a grande estréia da peça. Com certeza vale a pena deixar meu RPG de lado nas noites de quinta.

Quem quiser saber mais sobre a série e a peça que lhe deu origem acessem:
http://www.clandestinos.art.br/index2.asp
http://especial.clandestinos.globo.com/index.html

Sou um internauta desleixado. Gasto meu tempo na net buscando coisas edificantes para minha vida ou coisas divertidas. Acabo não vendo a quantidade de excremento (dizer merda é muito feio) que é jogada na rede. Hoje fiquei sabendo da Mayara Petrusco, dos ataques e acusações contra os nordestinos e da repercusão qu o caso tomou.

Tá legal, xenofobia é muito feio, assim como homofobia, racismo e qualquer tido de discriminação e preconceito. E não são coisas novas, muito menos veladas. Na verdade já fazem parte da cultura, estão nas piadas, nas expressões, no teatro e na TV (tudo que não presta está na TV, impressionante).

Mas algumas reações parecem ser contraditórias. Como o grupo que criou um blog para juntar todas os twitters com conteúdo xenofóbico. Parece mais um mural da xenofobia que um protesto. Tipo “-Vc que odeia nordestinos, não está mais sozinho, junte-se a nós nesta comunidade”. Não entendi o objetivo de juntar tantas frases ofensivas num só lugar. Tudo bem. Foi o jeito que encontraram de … contribuir?!

Mas a coisa é realmente feia, pensei em reproduzir alguns textos aqui, mas pensei melhor. O que é ruim não deve ser dissiminado, muito menos colecionado. Juntar o que não presta num só lugar nunca dá certo, veja Brasília. Posso dizer que os ataques são assustadores, não por serem contra nordestinos, mas pela ausência de humanidade das declarações. Lembram os discursos nazistas contra as “raças inferiores” que infectariam a humanidade com sua fraqueza. Nesta leva vão nordestinos, homossexuais, negros, índios, pobres, nerds, enfim, todos que não são arianos.

Até o momento a OAB de Pernambuco entrou com notícia-crime, a Safernet de São Paulo tb, entregando 1.037 perfis do twitter responsáveis pelos ataques, a Mayara Petrusco foi demitida de seu estágio (a mulé é estudante de direito, é mole?). E jurista admitem que os ataques são criminosos e agravados por serem veiculados em meio de comunicação devem render de 2 a 5 anos de cadeia aos autores.

Mas ninguém (grande mídia) aproveitou para tratar do assunto discriminação de forma mais ampla e educativa. Cuidar da discriminação plantada em nossa sociedade. ENsinar o quanto somos iguais e como nossas diferenças nos completam. Era um bom momento para promover a igualdade e a verdade, ao invés de alimentar o ódio mutuo, o desejo de vingança disfarçada em justiça e a divisão que gera morte, filhos da discriminação que os gerou.

Somos um.

O Império contra ataca

Publicado: outubro 21, 2010 em Comunicação, Política, Sociedade

Nestes dias algo de muito louco me trouxe de volta aos textos, o tema do momento, o 2º turno, mais precisamente a campanha. Pra ser sincero me chamou a atenção a posição de defesa da verdade tomada pela rede Globo de televisão (será que vão tirar meu blog do ar depois dessa?).

Todo mundo viu o Serra reclamando de ter sido agredido durante uma passeata. Todo mundo viu o vídeo da bolinha de papel exibido pelo SBT (sucesso no youtube). Todo mundo viu o presidente Lula chamando Serra de mentiroso e desacreditando do médico que o atendeu. Todo mundo viu Dilma falando da sua indignação e do balão d’água que tentaram jogar nela. E hoje todo mundo viu a Globo “mostrar’ o “objeto” que atingiu o candidato.

SBT e Globo escolheram seus lados e entraram na briga pela “verdade”. Diria Póncio Pilatos, “- O que é a verdade?” E colocam tempero na briga pela presidência. Nessa altura dos acontecimentos o que seria uma vitória no primeiro turno tornou-se um segundo turno fácil e agora aparece como uma possível surpresa indigesta para o presidente ex-trab… digo, ex-operário. Tudo porque mecheram com o brio do quarto poder.

Montagens, teatros, exageros, manipulações e golpes de marketing à parte o circo fica cada vez mais diversificado e os macacos vão acabar invadindo o picadeiro para despejar sua ironia sobre o palhaço menos convincente. E eu fico tranqüilo, enquanto não tenho público ninguém vai se incomodar com o que eu falo.

Aproveita o anonimato e faladisso também.

Frustação

Publicado: setembro 9, 2010 em Cinema, Comunicação, Egolatria

Hoje fui ao cinema assistir um filme que esperei por meses e saí da sala mais frustado que quando fui assistir “O Grito” pensando tratar-se de um filme de terror. O Último Mestre do Ar é uma m…

Tá legal, sou fã incondicional da Lenda de Aang (por favor pronuciem Eng, não repitam os erros da dublagem do filme). Conheço a história inteira em detalhes. Sei que o filme precisaria resumir todo o livro da água em menos de duas horas de filme, mas aquilo não foi um resumo, foi uma mutilação e uma deturpação. Cheguei a desejar sair da sala antes de acabar o filme (isso só aconteceu quando fui arrastado para assistir “Ghost: do outro lado da vida”, quando saí no meio do filme).

Como diria o esquartejador, vamos por partes. Um dos grandes trunfos da série “Avatar: a lenda de Aang” é a forma como a personalidade dos personagens é bem definida e como essas personalidades evoluem no decorrer da história. O filme joga isso no lixo. Mistura os papeis de cada personagem. Não respeita a evolução do menino Aang e o coloca até assumindo um papel de liderança revolucionária diante da primeira tribo da terra que visita. Esse papel é de Katara, pelo menos até a metade da saga. É dela que ele aprende isto.

Não queria falar da construção do roteiro, mas é ponto notável do filme. O roteirista estava completamente bêbado, ou passou todo o serviço para um estagiário. O filme ficou truncado, como um grande album de recortes. Um descontinuidade sufocante.

Junto com isto a ordem dos fatos e a responsabilidade por eles mostram que os produtores nem se deram o trabalho de assistir a série antes de fazer o filme. A idéia de ir para a tribo da água do norte parte de Soca e é dele a proosta de passar pelas vilas durante a viagem. Pior ainda, passa nas vilas com a intenção de libertá-las. Por favor. Durante todo o livro da água a única coisa que move Aang de tribo em tribo é a curiosidade de rever os lugares que frequentava e conhecer os que ouviu nas histórias dos monges. Aang faz turismo. E os embates são evitados.

Como não vai dar pra falar de tudo num post só, vou terminar falando da dublagem. Pronuncias erradas de nomes (interessantemente os nomes dos membros do povo do fogo são pronunciados com perfeição). Expressão tonal sofrível. Quem dubla Aang parece que estava sob efeito de algum alucinógeno, porque não acompanha a interpretação do ator, que aliás é bem básica.

Quem assistiu e gostou, por favor corrija-me. Quem concorda comigo, confirme. De qualquer forma, fale disso vc também.

Ô mundinho cheio de novidades esse da internet. Passo as minhas horas vagas (horas é pura ironia) no facebook jogando Mafia Wars com um monte de gente que não conheço. Na verdade é um monte de gente de todo canto do nosso pequeno planeta azul. Aquilo até parece uma torre de Babel. Mas até aí tudo bem. Participamos do jogo e tentamos nos comunicar usando a linguagem universal (inglês?) com a ajuda do Google Tradutor. O que me assusta são as outras coisas que acontecem no facebook.

O tempo inteiro recebo convites para os mais bizarros testes, quizz, grupos, aplicativos e páginas inpensáveis. Por exemplo: “seu filho com um famoso”, que mostra como seria seu filho com alguem famoso; ou “que personagem de A Próxima Vítima você é?”, não precisa explicação. Mas um convite de aplicativo em especial me chamou a atenção: “Friends for sale!”. Durante uma semana ignorei o convite até que hoje resolvi tentar entender do que se trata (poderia ser apenas uma frase de efeito). Não é uma frase de efeito.

O aplicativo tem a seguinte proposta: “Comprar e vender seus amigos como animais de estimação!” É exatamente o que está escrito na explicação do app. Compreenda bem a situação eu estou sendo convidado para negociar os meus amigos. O texto ainda continua: “…Faça o dinheiro como um astuto vendedor de animais de estimação” – ganhar muito comprando amigos baratos e vendendo por um preço maior – “ou como uma mercadoria quente!” – ou fazer sucesso como a mercadoria do momento. Imagine a alegria de ser um amigo super-valorizado, vendido por milhões em leilões disputados.

Num mundo onde valores como amizade, honestidade e vida tem sido relativizados ao extremo eu não deveria estranhar uma proposta como esta. Na verdade deveria estar preparado para o dia em que isto se tornar realidade. Terá mais amigos que puder pagar mais. Lojas de amigos oferecendo modelos diversos para todos os gostos e bolsos. Já posso até me ver numa dessas lojas.

– Preciso de um amigo com cerca de 30 anos de idade, que goste de debates mas seja divertido, ouça rock’n’roll e ria das minhas piadas, mas estou sem muita grana no momento. Aceita cartão?

Carro importado: 150.000,00 no mastercard
Casa de praia: 800.000,00 no mastercard
10 amigos para um churrasco: 10,52 no mastercard
Cativar alguém: não tem preço.

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