Posts com Tag ‘democracia’

Ô mundinho cheio de novidades esse da internet. Passo as minhas horas vagas (horas é pura ironia) no facebook jogando Mafia Wars com um monte de gente que não conheço. Na verdade é um monte de gente de todo canto do nosso pequeno planeta azul. Aquilo até parece uma torre de Babel. Mas até aí tudo bem. Participamos do jogo e tentamos nos comunicar usando a linguagem universal (inglês?) com a ajuda do Google Tradutor. O que me assusta são as outras coisas que acontecem no facebook.

O tempo inteiro recebo convites para os mais bizarros testes, quizz, grupos, aplicativos e páginas inpensáveis. Por exemplo: “seu filho com um famoso”, que mostra como seria seu filho com alguem famoso; ou “que personagem de A Próxima Vítima você é?”, não precisa explicação. Mas um convite de aplicativo em especial me chamou a atenção: “Friends for sale!”. Durante uma semana ignorei o convite até que hoje resolvi tentar entender do que se trata (poderia ser apenas uma frase de efeito). Não é uma frase de efeito.

O aplicativo tem a seguinte proposta: “Comprar e vender seus amigos como animais de estimação!” É exatamente o que está escrito na explicação do app. Compreenda bem a situação eu estou sendo convidado para negociar os meus amigos. O texto ainda continua: “…Faça o dinheiro como um astuto vendedor de animais de estimação” – ganhar muito comprando amigos baratos e vendendo por um preço maior – “ou como uma mercadoria quente!” – ou fazer sucesso como a mercadoria do momento. Imagine a alegria de ser um amigo super-valorizado, vendido por milhões em leilões disputados.

Num mundo onde valores como amizade, honestidade e vida tem sido relativizados ao extremo eu não deveria estranhar uma proposta como esta. Na verdade deveria estar preparado para o dia em que isto se tornar realidade. Terá mais amigos que puder pagar mais. Lojas de amigos oferecendo modelos diversos para todos os gostos e bolsos. Já posso até me ver numa dessas lojas.

– Preciso de um amigo com cerca de 30 anos de idade, que goste de debates mas seja divertido, ouça rock’n’roll e ria das minhas piadas, mas estou sem muita grana no momento. Aceita cartão?

Carro importado: 150.000,00 no mastercard
Casa de praia: 800.000,00 no mastercard
10 amigos para um churrasco: 10,52 no mastercard
Cativar alguém: não tem preço.

Fala disso também

Estou em Salvador participando de um encontro de comunicação. Ontem tivemos a presença de D. Orani Tempesta, presidente do setor de comunicação da CNBB. Ele falou um pouco sobre a missão comunicadora da Igreja, de como a comunicação pode, e deve, ser usada como ferramenta evangelizadora, transformadora da realidade e de como a Igreja precisa se especializar cada vez mais no uso dos meios.

Durante esses dois dias estou no meio de comunicadores livres, discutindo os caminhos da comunicação na construção de um novo mundo, e assisto horrorizado uma notícia velha e chocante, mais uma vez os jornais alertam para o processo de eliminação da liberdade de imprensa nos países da América do Sul. É um contracenso.

Não consigo imaginar, nem nos meus maiores pesadelos (e olha que meu pesadelos são aterrorizantes) um retrocesso tão grande no processo de desenvolvimento de um povo, como seria a quebra da liberdade de comunicação. Emissoras de televisão fechadas por desagradarem os planos do governo. Comunicadores perseguidos, processados, por divulgarem os fatos, a real situação de que está debaixo de uma nova ditadura (nova é só questão cronológica, porque de fato tem as mesmas características das antigas).

O pior de tudo é que os “grandes” países do Mercossul, os defensores da demogracia, o pessoal dos direitos humanos, nenhum deles, ninguém se levanta contra esta situação. Somente os comunicadores livres que ainda restam lutam pelos direitos dos seus colegas de outras terras, direitos que são de toda uma população que sem comunicadores livres ficará aprisionada intelectualmente e ideologicamente ao pensamento dos ditadores.

O título deste post é a ordem dada a quem tem o que dizer. Felizmente há muita gente mal educada, que não costuma obedecer ordens. Que enfrenta os poderes e assume o risco castigo, para realizar a verdade na qual acredita. Falam do que não querem que falem.

Fala disso você também. O mundo livre agradece.

Independência?

Publicado: setembro 7, 2009 em Política, Sociedade
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Salve os Dragões da Independência! Hoje é dia de celebrar a Proclamação da Independência. O vocábulo proclamar, aliás, é muito bem empregado aqui. No dicionário proclamar tem vários sentidos, um deles é promulgar uma lei. Bem, seguindo essa possível interpretação do termo posso crer que a Independência se deu por uma lei ou decreto que declara o Brasil um país … independente. Isso não pode dar certo. Lei aqui é uma coisa muito relativa. Algumas pegam, outras não pegam, depende muito da aceitação dos interessados.

Assim essa tal independência fica muito a critério da moda, da onda do momento. Quando a onda era a Inglaterra, nosso chá era deles. Quando os militares estavam na moda, estávamos de verde-oliva (e ficamos assim por mais tempo que os vizinhos, sinal de que gostamos mesmo da coisa). Aí veio a moda americana e nós aprendemos a comer chessburger com Coca-Cola. Com a globalização nos globalizamos. Teve BIRD, FMI. Enfim, vamos cumprindo o decreto de independência do jeito que dá.

Melhor seria considerar uma outra possibilidade de sentido para o vocábulo em questão. Arvorar-se em; tomar-se por. Como o louco que proclama-se Napoleão Bonaparte. Assim a proclamação teria sido um mero arvorar-se independente. Eu digo que sou independente e pronto. Fica mais fácil de entender a história do país dessa forma. É que estamos satisfeitos com o direito adquirido de disser bem alto INDEPENDÊNCIA OU MORTE. Alguns otimistas (governistas) declaram, baseados nos números da economia, que o Brasil está a alguns anos conquistando, de fato, a sua independência. Afinal de contas, só estamos presos ao gás do Chile, aos compradores de grãos, aos países com os quais temos acordos comerciais, aos organismos internacionais e alguns outros camaradas que só desejam nos ajudar a caminhar com as próprias pernas.

Mas tudo bem. Nossa independência nos garante pelo menos um belo feriadão de sol. Momento perfeito para os “excluídos” partirem em lotações para os balneários populares, ou fazer seu pagodão com cerveja e churrasco no quintal de casa.

Viva a independência!

Demo cracias

Publicado: setembro 1, 2009 em Política, Sociedade
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Hoje teclei no messenger com o meu primo Thiago e, entre diversos assuntos, caímos na ação dos soldados americanos para acabar com a ditadura militar de Sadan Hussein e instalar definitivamente a democracia no Iraque. Bravos heróis da liberdade.

Muitos foram os que criticaram ação militar no Iraque. Muitos se revoltaram diante de eventos considerados como criminosos e bárbaros. Mas vejam bem, o guerreiro não merece os espólios de uma guerra vencida? Afinal de contas, tudo isto não passa de um sacrifício menor em nome de um bem maior, neste caso a democracia.

Ah, a democracia. Quantos absurdos ainda serão realizados em nome dela. Aliás, o nome dela está na moda a muito tempo, a ponto de apenas Mianmar, Arábia Saudita, Brunei e o Vaticano não se declararem democráticos. Isso mesmo, até China e Koreia se declaram estados democráticos. A democracia está em alta. Ser democrático hoje dá status. É o novo nome do império.

Também pudera. Democracia vem do grego “kratos” (poder, força, majestade) e “demo”(que deve ser o demo mesmo). Pelo menos em alguns lugares onde ela aparece apenas como um título para garantir aceitação diante da comunidade mundial, ou onde ela é construída à custa da vida de milhares de inocentes, só pode ser o poder do demo mesmo. O “demo” grego, cidadão da polis, passa longe dessas experiências de governo.

Quanto aos arautos da democracia. Continuem suas cruzadas para levar a liberdade ao mundo. Afinal de contas, o que seria das grandes demo-cracias, sem as democracias de cidadãos destruídos pela guerra, pela fome, pela falta de educação, pela miséria…