Arquivo da categoria ‘Sei lá o quê’

Segunda Gravidez

Publicado: agosto 12, 2011 em Sei lá o quê

Salvínia, mulata garbosa da cidade baixa, segue mais uma vez para a clínica. Rotina mensal, feita com devoção. Vai ao obstreta fazer o acompanhamento pré-natal. A crianças está prestes a nascer. Há muito tempo está prestes a nascer.

Desta vez a alegria, serenidade e até morosidade costumeiras de Salvínia deram lugar a uma ponta de preocupação. É que já passa do tempo previsto para o nascimento e não há sinais de trabalho de parto. Pudera, durante toda a gestação foram muitas ameaças de aborto, problemas na saúde de Salvínia, suspeitas de problemas com o bebê, os médicos chegaram a aconselhar um aborto terapêutico, a mãe correria risco de morte por manter uma gravidez tão problemática e por tanto tempo.

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Traz uma lembrancinha.

Publicado: julho 30, 2011 em Sei lá o quê

Acabo de ver uma coisa no Facebook. Um amigo está viajando e informou isto no status. Outro amigo prontamente comentou: “Traz uma lembrança”. Ô costume de pobre que não morre. Basta você fazer uma viagem para ouvir diversas vezes essa nefasta frase: “Traz uma lembrancinha”. Para atender tantos pedidos é preciso fazer uma lista. Mas eu me pergunto: “Lembrança de quê?”

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A Torre de Babel

Publicado: maio 13, 2011 em Sei lá o quê

Um belo dia os homens resolveram que seria legal uma torre que alcança-se o céu. Não o céu das nuvens, mas o mais alto dos céus, o céu dos céus, chegar até Deus (como se Ele estivesse longe assim). E Deus, zangado como ostuma estar no Antigo Testamento, instalou a confusão, cada homem passou a falar uma lingua diferente de forma que não mais se entendessem (com as mulheres não funcionaria, elas sempre arranjam um jeito pra botar o papo em dia).70 Torre de Babel - Pieter Brüegel – 1563 – OSM – 114x115

Parece que a confusão perdura até os dias de hoje. Se na Torre de Babel a barreira era o idioma agora são as ideologias, as “verdades” absolutas, auto-afirmações, egoísmo, intolerância e tantas outras coisas que levam os homens a tagarelarem sem jamais se entenderem. E nas pequenas ilhas de diálogo ainda existem as coisas são tão lindas e calmas que deveriam servir de escola para os construtores da Torre.

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Na cadeira do carrasco

Publicado: novembro 27, 2010 em Sei lá o quê

Hoje foi dia de ir ao dnetista. Sinceramente, meu dentista é gente boa. Cara jovem, comunicativo, bem humorado e não me cobra caro. Nada disso apaga aquilo que ele é. Ele é um dentista. Não há gentileza ou gracinha que faça este fato passa ao largo. Não há enfeite que esconda os chifres do coisa ruim. Tá bem, peguei pesado. Mas é quase como se dissesse: “Ele é o carrasco do Hittler, mas é gente boa.”

Dentista consegue ser pior ainda que carrasco. O carrasco deixa logo claro o que vem pela frente. Você olha na cara do carrasco á sabe, lá vem sofrimento e é dos pesados. E ele faz questão de que seja assim mesmo, já entra fazendo tipo, mostra logo os instrumentos de tortura e em algus casos, explica o que vai acontecer. Dentista não. Ele se veste bem, penteia o cabelo (nunca confie em alguém penteado demais), lhe recebe sempre com um grande sorriso que testemunha em favor da sua profissão e tenta lhe deixar tranqüilo.

Tranqüilo. Tranquilo. O cara tá com uma broca capaz de perfurar até pedra dentro da sua boca, brocando seu dente, qualquer escorregão pode cortar sua lingua fora e ele quer que vc fique tranquilo. Faz-me lembrar uma ginecologista que, preparando uma paciente para um procedimento de eletrocauterização, explicou: Essa placa metálica embaixo da senhora serve como aterramento e evita que a senhora seja eletrocutada, então é só ficar calma e não se mexer que dará tudo certo.

Pior é a gente até tenta ficar quietinho, afinal de contas tem uma broca ligada dentro da minha boca, mas dentista tem manias incuráveis pra nos ajudar. Eles sempre têm alguma coisa para fazer atrás de nós, fora do nosso campo de visão. O que é fácil já que nossa posição não ajuda muito. Esquece que a curiosidade intrinseca ao ser humano vai nos levar a tentar olhar pra trás, só pra ouvir um delicado: não mexa a cabeça agora.

Outra mania legal é a seguinte. A criatura te coloca um sugador de um lado da boca, o espelho do outro lado, te enche de algodão, a broca sempre lá dentro, sempre funcionando, e te pergunta o que vc achou do jogo do Corinthians ontem à noite. Como ele espera que a reposta aconteça? LIBRAS?* Até porque nas mãos vc tem uma toalha de papel e, no meu caso específico, um espelho. O espelho penso que seja uma particularidade. O cara gosta de me mostrar como está meu dente e o que ele vai fazer. Tipo Hanibal Lexter torturando sua vitima diante de um espelho para que ela saiba o que lhe está acontecendo.

Melhor de tudo é que ele vibra com tudo isso. “Pô, essa restauração vai ficar show”. Cara, ele passa horas futucando o dente, fura pra lá, fura pra cá, bota massa, e esculpe e desenha, e faz ranhuras. Poxa, ele deve estar esculpindo o próprio rosto no meu dente. E do jeito que fica alegre com o resultado tenho medo que resolva fazer uma exposição com as obras de arte feitas em meus dentes. Obras de arte mesmo. Porque, quando é uma clínica coletiva ele chama os colegas pra mostrar e ouvir os elogios.

Depois de tudo a gente ainda paga. O que é um publicano** diante de um dentista? O carrasco vira frade capuchinho. E não esqueça, terminada a sessão de tortura vc só pode comer alguma coisa dentre de uma hora.


*Linguagem Brasileira de Sinais – A linguagem dos surdos no Brasil.

**Judeu do tempo de Jesus que cobrava impostos dos outros judeus em nome do Império Romano e aproveitava para fazer seu caixa dois.

Enterrem o rei

Publicado: agosto 23, 2009 em Sei lá o quê
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É impressionante. Passaram-se quase dois meses desde a morte do astro do pop, Michael Jackson, um monte de homenagens, despedidas e ações de marketing foram realizadas com sucesso (aliás, tudo que leva o nome Michael Jackson tem sucesso). As músicas dele tocaram em todas as rádios, os cds voltaram a ser procurados nas lojas, milhares de pessoas que nunca deram atenção ao homem “black or white” tornaram fãs incondicionais dele. A comoção tomou o mundo.

A comoção passou. Triller parou de ser tocada de dez em dez minutos na casa do meu vizinho. Todo mundo voltou aos seus afazeres. As pessoas encontram outros assuntos para os bate-papos vespertinos, como os atos secretos, a lavagem de dinheiro, o nepotismo, coisas do dia-a-dia. Tudo voltou ao normal, até a crise financeira mundial passou, e o corpo de Michael Jackson continua entre nós.

Depois da apoteose do velório, bem definido como um circo, todos imaginavam: Acabou. Mas não acabou. Houve todo aquele frenesi da imprensa para saber onde o Rei do Pop seria enterrado, alguns perguntaram onde ele “estava” enterrado, especulando que o enterro tivesse acontecido de forma secreta, mas como não encontraram respostas acabaram parando de falar do assunto. Quase um mês depois da morte de Michael (o que na verdade significa dez dias depois do velório) Joe Jackson, o genitor, anunciou o enterro para 29 de agosto, dia em que Michael completaria 51 anos. Isto daria ao corpo de Michael a oportunidade de passar dois meses e quatro dias aguardando pelo descanso merecido. Mas estava pouco. Cinco dias depois de confirmar o enterro para o dia 29 de agosto, a família anuncia que o enterro será adiado para 03 de setembro, véspera do meu aniversário (ufa, foi por pouco).

Tudo isso porque, dizem eles, queriam manter o corpo à disposição para exames que pudessem ser necessários para elucidar os motivos da morte de Michael. Isto é prudente, afinal, o defunto estava sem cérebro por causa desses exames. E o Joe Jackson, o mesmo que aproveito o anúncio do velório para fazer propaganda de sua gravadora, aquele que não aparece no testamento, não permitira jamais que seu filho amado fosse enterrado dessa forma. Além disso, um enterro naquele momento seria um desperdício. Todo mundo já estava emocionado o bastante, os cds e dvds já estavam sendo vendidos. Melhor mesmo é aguardar o momento de reacender a comoção dos fãs. Agora é a hora do Rei do Pop descansar em paz. Será?

O capacete e a gripe

Publicado: agosto 19, 2009 em Sei lá o quê
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Hoje estava atrasado para minha visita à psicóloga (sim eu vou à psicóloga) e precisei de pegar um mototáxi. Durante a viagem fiquei me questionando: “quantas pessoas usaram este capacete hoje?” Pior que isso, percebi que fui infectado pelo vírus midiático. Fiquei imaginando o risco de pegar “gripe A” naquele momento. Felizmente não fui tomado pelo pânico, mas fui levado a pensar seriamente no assunto.

Muitas cidades brasileiras contam com o serviço de mototáxi. Nestas cidades milhares de pessoas fazem uso deste serviço para deslocarem-se pela cidade sem o incômodo dos engarrafamentos e pagando bem menos que num táxi. Um mototaxista deve transportar, numa cidade como Feira de Santana, uma dezena de passageiros por dia.

Os capacetes usados pelos passageiros estão, quase sempre, de acordo com o código de trânsito que pede que o capacete proteja o rosto do usuário. A frente deste capacete, responsável por proteger o rosto, fica o tempo inteiro em contato com a boca de quem o está usando. É como se dezenas de pessoas partilhassem o mesmo guardanapo.

Vamos piorar um pouco as coisas. Imagine que alguém espirre dentro do capacete. A saliva fica lá. A secreção fica lá. Sabe Deus quando o mototaxista vai lavar aquele capacete (se é que vai lavar algum dia). Neste exato momento eu imagino quanta coisa pode ter entrado pela minha boca durante aquela viagem.

Toda essa reflexão levou-me a perceber uma coisa. Como a mídia consegue mexer com a nossa mente. Eu jamais perderia meu precioso tempo pensando nessas coisas. Mas, depois de algumas semanas sendo bombardeado pelo terrorismo midiático, eu estou convencido de que a “gripe A” levará a humanidade ao seu fim de forma dolorosa e lenta. Para isso contará coma ajuda do trânsito brasileiro, das drogas lícitas e ilícitas, da violência urbana, das guerras sem sentido (e existe guerra com sentido?), dos inúmeros tipos de cânceres, da fome, das injustiças… Sozinha ela não vai fazer é nada além de vender jornais.

Perceram como a gripe suína de repente assumiu o espaço dos noticiários? Não se fala em outra coisa.
Toda essa atenção dada à tal H1N1, não permitiu que questões de “menor importância” fossem contempladas (para maiores detalhes veja http://www.quefato.blogspot.com). Mas eis que, quando ninguém aguentava mais ouvir falar da gripe suína, surge um “salvador”. Alguém que, com o poder da oração (mediante a generosa oferta do fiel) pode curar todas as doenças, inclusive a suína, o Bispo Edir Macedo com sua legião de pastores.
O retorno das acusações contra Edir Macedo e seus “apóstolos” retirou a H1N1 do centro das pautas. o assunto da vez é a IURD. Aliás um assunto inteiramente novo. Quem imaginaria que a igreja do Pare de Sofrer realizaria qualquer ato ilícito? Quando passaria pela cabeça de alguém que Edir e sua trupe estariam usando o dinheiro ofertado pelos fiéis para enriquecimento próprio? Esquema de lavagem de dinheiro? Impensável. O homem que distribui camisinhas em seus templos está sendo acusado também de não realizar as obras sociais que deveria. Isso é inveja de quem não pode vender a chave do céu, nem tem franco acesso ao Senhor, até para pedir assinaturas em documentos.
Importa que pouco a pouco a gripe está sendo banida, pelo menos das pautas, graças aos “milagres” financeiros de São Edir Macedo.