Arquivo de agosto, 2009

Propagando a barbárie

Publicado: agosto 29, 2009 em Sociedade
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A boa e “velha” internet está cada dia mais versátil. Invadiu a vida das pessoas e criou conceitos. Quem ouvia falar de “excluído digital” a dez anos atrás? Um conceito totalmente novo. Mas este singelo artigo não pretende falar da relação entre internet e “excluídos digitais”. Quer tratar sim da imensa versatilidade da internet, que faz com que ela tenha relação direta até mesmo com um dos ícones da exclusão no mundo, os moradores de rua.

A situação de vulnerabilidade dos moradores de rua não é novidade pra ninguém. Na rua não há qualquer tipo de segurança que se possa encontrar numa casa. Estão sempre expostos às intempéries do tempo, às doenças, aos assaltos e ao senso de humor doentio de alguns seres vivos com aparência humana.

Nem vale a pena listar aqui os inúmeros casos de crimes cometidos por criaturas de classe média contra moradores de rua. Homens incendiados, mulheres estupradas, crianças mortas (não necessariamente nesta ordem) e muitas outras atrocidades dignas do filme “Jogos Mortais”. Mas vale pensar no motivo pra tudo isso. Pura diversão. Uma diversão perversa e distante de qualquer coisa que lembre humanidade. Como os gatos que brincam com os ratos até que morram. Ou como minha cadelinha que se diverte matando gatos lentamente. Diversão de seres irracionais incapazes de compreender a vida.

E a internet nesta história toda? É simples. A internet, além de todas as maravilhosas utilidades de sempre, serve como lupa para observar o comportamento “humano” (eu disse humano?). Advinha a nova coqueluche da produção de pequenos vídeos para internet nos EUA. O negócio agora é gravar agressões contra moradores de rua, ou até entre eles. Alguns seres inanimados (sem alma) chegam a pagar alguém para realizar os maltratos, ou embriagar moradores de rua para depois incitá-los a brigar. Os vídeos fazem tanto sucesso que já estão produzindo compilações em DVD. Uma matéria da AFP (clique aqui pra ver) denuncia a situação.

O sucesso destes vídeos denuncia uma coisa. Esta prática está-se popularizando. Virando algo como uma pegadinha. Todo mundo vê, dá risada e nem pensa que alguém pode ter se machucado com a “brincadeira”. A internet, invenção dos nerds, está virando palco e escola de trogloditas.

Enterrem o rei

Publicado: agosto 23, 2009 em Sei lá o quê
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É impressionante. Passaram-se quase dois meses desde a morte do astro do pop, Michael Jackson, um monte de homenagens, despedidas e ações de marketing foram realizadas com sucesso (aliás, tudo que leva o nome Michael Jackson tem sucesso). As músicas dele tocaram em todas as rádios, os cds voltaram a ser procurados nas lojas, milhares de pessoas que nunca deram atenção ao homem “black or white” tornaram fãs incondicionais dele. A comoção tomou o mundo.

A comoção passou. Triller parou de ser tocada de dez em dez minutos na casa do meu vizinho. Todo mundo voltou aos seus afazeres. As pessoas encontram outros assuntos para os bate-papos vespertinos, como os atos secretos, a lavagem de dinheiro, o nepotismo, coisas do dia-a-dia. Tudo voltou ao normal, até a crise financeira mundial passou, e o corpo de Michael Jackson continua entre nós.

Depois da apoteose do velório, bem definido como um circo, todos imaginavam: Acabou. Mas não acabou. Houve todo aquele frenesi da imprensa para saber onde o Rei do Pop seria enterrado, alguns perguntaram onde ele “estava” enterrado, especulando que o enterro tivesse acontecido de forma secreta, mas como não encontraram respostas acabaram parando de falar do assunto. Quase um mês depois da morte de Michael (o que na verdade significa dez dias depois do velório) Joe Jackson, o genitor, anunciou o enterro para 29 de agosto, dia em que Michael completaria 51 anos. Isto daria ao corpo de Michael a oportunidade de passar dois meses e quatro dias aguardando pelo descanso merecido. Mas estava pouco. Cinco dias depois de confirmar o enterro para o dia 29 de agosto, a família anuncia que o enterro será adiado para 03 de setembro, véspera do meu aniversário (ufa, foi por pouco).

Tudo isso porque, dizem eles, queriam manter o corpo à disposição para exames que pudessem ser necessários para elucidar os motivos da morte de Michael. Isto é prudente, afinal, o defunto estava sem cérebro por causa desses exames. E o Joe Jackson, o mesmo que aproveito o anúncio do velório para fazer propaganda de sua gravadora, aquele que não aparece no testamento, não permitira jamais que seu filho amado fosse enterrado dessa forma. Além disso, um enterro naquele momento seria um desperdício. Todo mundo já estava emocionado o bastante, os cds e dvds já estavam sendo vendidos. Melhor mesmo é aguardar o momento de reacender a comoção dos fãs. Agora é a hora do Rei do Pop descansar em paz. Será?

O dia do fico

Publicado: agosto 21, 2009 em Política
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Fico cada dia mais impressiondao com a capacidaade de persuasão do presidente Lula. O homem seria capaz de convencer a família de Michael Jackson a se livrar do defunto.

Aloízio Mercadante, arauto da ética política, decepcionado com as ações covardes do seu partido (de novo) resolveu deixar a liderança da bancada. Decisão vista por muitos, em consonância com a saída de Marina, como um sinal deque a crise do senado teria alcançado o PT. Segundo as palavras do próprio Mercadante diversos colegas de partido, da base governista e mesmo alguns da oposição e outros com os quais não mantém relação tão sadia, insistiram para que ele voltasse atrás na decisão. Deixar a liderança não é a solução. Mas a frustação, o desgaste por tantas decepções, reforçados pelo pedido dos filhos, falaram mais alto. Aloízio estava decidido. O preço era alto demais.

Mas eis que surge a voz da mudança. Ele. O homem barbudo, dedo decepado, vestido em suas camisas baianas. O cara. Chegou de viagem (mais uma) e recebeu Mercadante em sua casa. Cinco horas de conversa. Revisão da vida, das lutas. Noite a dentro o presidente preparou o terreno que sacramentou com uma carta na manhã seguinte. “Mercadante, estamos juntos há trinta anos, travando as lutas que interessam ao povo brasileiro e mudando a história do País. Dificuldades e divergências fazem parte dessa caminhada, mas são menores do que ela. Em nome dessa história e dessa caminhada, fique na liderança.” Em nome dessa história, dessa caminhada, Aloízio ficou. Pediu desculpas aos filhos e ficou.

Mas não ficou calado. No seu discurso hoje pela manhã (senadores no Plenário em plena sexta-feira? Até Mercadante estranhou) elencou todos os “erros políticos” que o fizeram decidir deixar a liderança da bancada. Um discurso belíssimo. Falou da necessidade de se analisar o preço pago para mater certas alianças. Admitiu que é preciso resolver muita coisa nas bases do partido. Falou de sua trajetória no PT e de como o governo fez o Brasil crescer (?).

No fim das contas tudo continua como antes. O nepotismo continua uma verdade conhecida de todos, mas assunto proíbido. Sarney levará seu mandato até o fim. As denuncias foram arquivadas, junto com milhares de outras. Aloízio continua líder. E Lula continua o presidente mais amado do Brasil.

 

Leia o discurso completo de Aloízio Mercadante: http://mercadante.com.br/noticias/ultimas/mercadante-discursa-na-tribuna-sobre-crise-do-senado-e-sua-permanencia-da-lideranca-da-bancada

O capacete e a gripe

Publicado: agosto 19, 2009 em Sei lá o quê
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Hoje estava atrasado para minha visita à psicóloga (sim eu vou à psicóloga) e precisei de pegar um mototáxi. Durante a viagem fiquei me questionando: “quantas pessoas usaram este capacete hoje?” Pior que isso, percebi que fui infectado pelo vírus midiático. Fiquei imaginando o risco de pegar “gripe A” naquele momento. Felizmente não fui tomado pelo pânico, mas fui levado a pensar seriamente no assunto.

Muitas cidades brasileiras contam com o serviço de mototáxi. Nestas cidades milhares de pessoas fazem uso deste serviço para deslocarem-se pela cidade sem o incômodo dos engarrafamentos e pagando bem menos que num táxi. Um mototaxista deve transportar, numa cidade como Feira de Santana, uma dezena de passageiros por dia.

Os capacetes usados pelos passageiros estão, quase sempre, de acordo com o código de trânsito que pede que o capacete proteja o rosto do usuário. A frente deste capacete, responsável por proteger o rosto, fica o tempo inteiro em contato com a boca de quem o está usando. É como se dezenas de pessoas partilhassem o mesmo guardanapo.

Vamos piorar um pouco as coisas. Imagine que alguém espirre dentro do capacete. A saliva fica lá. A secreção fica lá. Sabe Deus quando o mototaxista vai lavar aquele capacete (se é que vai lavar algum dia). Neste exato momento eu imagino quanta coisa pode ter entrado pela minha boca durante aquela viagem.

Toda essa reflexão levou-me a perceber uma coisa. Como a mídia consegue mexer com a nossa mente. Eu jamais perderia meu precioso tempo pensando nessas coisas. Mas, depois de algumas semanas sendo bombardeado pelo terrorismo midiático, eu estou convencido de que a “gripe A” levará a humanidade ao seu fim de forma dolorosa e lenta. Para isso contará coma ajuda do trânsito brasileiro, das drogas lícitas e ilícitas, da violência urbana, das guerras sem sentido (e existe guerra com sentido?), dos inúmeros tipos de cânceres, da fome, das injustiças… Sozinha ela não vai fazer é nada além de vender jornais.

Perceram como a gripe suína de repente assumiu o espaço dos noticiários? Não se fala em outra coisa.
Toda essa atenção dada à tal H1N1, não permitiu que questões de “menor importância” fossem contempladas (para maiores detalhes veja http://www.quefato.blogspot.com). Mas eis que, quando ninguém aguentava mais ouvir falar da gripe suína, surge um “salvador”. Alguém que, com o poder da oração (mediante a generosa oferta do fiel) pode curar todas as doenças, inclusive a suína, o Bispo Edir Macedo com sua legião de pastores.
O retorno das acusações contra Edir Macedo e seus “apóstolos” retirou a H1N1 do centro das pautas. o assunto da vez é a IURD. Aliás um assunto inteiramente novo. Quem imaginaria que a igreja do Pare de Sofrer realizaria qualquer ato ilícito? Quando passaria pela cabeça de alguém que Edir e sua trupe estariam usando o dinheiro ofertado pelos fiéis para enriquecimento próprio? Esquema de lavagem de dinheiro? Impensável. O homem que distribui camisinhas em seus templos está sendo acusado também de não realizar as obras sociais que deveria. Isso é inveja de quem não pode vender a chave do céu, nem tem franco acesso ao Senhor, até para pedir assinaturas em documentos.
Importa que pouco a pouco a gripe está sendo banida, pelo menos das pautas, graças aos “milagres” financeiros de São Edir Macedo.