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Escrever algo

Publicado: novembro 28, 2011 em Filosofia, Poesia
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Do nada ressurgiu o gosto pela escrita. O desejo de escrever alguma coisa, qualquer coisa. É que tenho passado momentos intensos e verdadeiros, desses inspiradores. Muita coisa boa acontecendo, algumas coisas não boas e outras que não somam nem subtraem, mas todas muito intensas, muito vívidas. (mais…)

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Estou em Salvador participando de um encontro de comunicação. Ontem tivemos a presença de D. Orani Tempesta, presidente do setor de comunicação da CNBB. Ele falou um pouco sobre a missão comunicadora da Igreja, de como a comunicação pode, e deve, ser usada como ferramenta evangelizadora, transformadora da realidade e de como a Igreja precisa se especializar cada vez mais no uso dos meios.

Durante esses dois dias estou no meio de comunicadores livres, discutindo os caminhos da comunicação na construção de um novo mundo, e assisto horrorizado uma notícia velha e chocante, mais uma vez os jornais alertam para o processo de eliminação da liberdade de imprensa nos países da América do Sul. É um contracenso.

Não consigo imaginar, nem nos meus maiores pesadelos (e olha que meu pesadelos são aterrorizantes) um retrocesso tão grande no processo de desenvolvimento de um povo, como seria a quebra da liberdade de comunicação. Emissoras de televisão fechadas por desagradarem os planos do governo. Comunicadores perseguidos, processados, por divulgarem os fatos, a real situação de que está debaixo de uma nova ditadura (nova é só questão cronológica, porque de fato tem as mesmas características das antigas).

O pior de tudo é que os “grandes” países do Mercossul, os defensores da demogracia, o pessoal dos direitos humanos, nenhum deles, ninguém se levanta contra esta situação. Somente os comunicadores livres que ainda restam lutam pelos direitos dos seus colegas de outras terras, direitos que são de toda uma população que sem comunicadores livres ficará aprisionada intelectualmente e ideologicamente ao pensamento dos ditadores.

O título deste post é a ordem dada a quem tem o que dizer. Felizmente há muita gente mal educada, que não costuma obedecer ordens. Que enfrenta os poderes e assume o risco castigo, para realizar a verdade na qual acredita. Falam do que não querem que falem.

Fala disso você também. O mundo livre agradece.

As pessoas vão para a frente da TV procurar seus heróis. Mesmo que sejam instantâneos como leite em pó, o que importa é que vivam segundo valores que a maioria da população esqueceu de viver, mas reconhece e admira. E não importa se são reais ou obras de ficção (é só observar o fenômeno das novelas). De qualquer forma eles não perdurarão mesmo, existiram apenas enquanto forem notícia ou estiverem em sua temporada de exibição. Aí as pessoas encontram seus modelos. Encontram motivação para seguir em frente, algo por que lutar, exatamente como se fazia com os santos.

Então compreende-se o motivo de tanta gente torcendo pela vitória do mais fraco. Solidária com o sofrimento da mocinha do filme. Orgulhoso do gari que encontrou uma mala de dinheiro e devolveu ao dono. Feliz por ver tanta gente ajudando quem perdeu tudo durante a última tempestade. Mesmo que isso não lhe leve a sair do sofá para agir da mesma, ao menos abre um horizonte de esperança diante da humanidade. O ser humano tem jeito. E acreditar nisto está cada dia mais importante. É o único jeito de não cair no desespero generalizado achando que ninguém é bom, que não há salvação.

Olha só o que eu disse. Coloquei os heróis da TV fazendo o papel de Jesus Cristo, dando aos homens esperança de salvação. A Santa Mãe Igreja que me perdoe a heresia, mas é justamente nestes heróis que as pessoas tem procurado a esperança perdida. Admitem que o presidente falhe, que a polícia falhe, que a família falhe, talvez admitam até que a Igreja falhe. Consideram tudo isso normal. Afinal são todos humanos. Mas continuam precisando de um elemento infalível, que lhes sirva de modelo a ser seguido.

A verdade é as referências se perderam e não sabemos o que fazer. Jesus Cristo talvez seja a única referência que realmente preencha os requisitos para assumir o cargo de referência infalível para o homem. Mas o acesso a ele está tão burocratizado, tão dificultado, que num mundo de praticidades, onde tudo acontece muito rápido, é preferível encontrar modelos mais adequados à realidade vigente, práticos, rápidos, simples e descartáveis. Mas então a referência volta a se desfazer e a necessidade de um eterno não nos deixará em paz jamais.

Um dia desses, mergulhado na inércia da modernidade, enquanto assistia a TV Globo, fui surpreendido por um comentário da minha mãe às declarações dos telespectadores a respeito dos participantes do “No Limite”. Todos criticavam os participantes que usavam de astúcia excessiva no jogo, os que manipulavam os outros para alcançar suas metas. Mas, ao mesmo tempo, cobravam uma atitude mais enérgica dos que eram manipulados, no sentido de vencer o embate.

A respeito destas declarações minha mãe sentenciou sua opinião, da qual não me recordo literalmente, de que as pessoas criticam os desonestos, mas agem como eles (foi alguma coisa parecida com isso, talvez menos forte que isso). A partir daí comecei a pensar numa coisa: As pessoas estão procurando heróis. É justamente isto que as pessoas querem, heróis. Buscam desesperadamente por alguém que surja coberto pela capa da justiça e do bem para lhes trazer esperança. Alguém que sirva de modelo a ser seguido.

Durante muito tempo a nova sociedade brasileira, essencialmente católica, teve seus heróis nos santos. Olhava para eles e encontrava modelos seguros e irreprováveis da moral e dos bons costumes. Os mais entusiasmados esmeravam-se em imitar seu santo de devoção, reproduzindo suas ações e palavras. Tivemos os heróis da Independência (hum, ah tá), mas alguns deles eram ainda comparados aos santos para reforçar sua condição de heróis. O exemplo mais gritante é Tiradentes que teve sua biografia e representação aproximada à vida dos mártires ou até mesmo de Jesus Cristo com seus cabelos cumpridos, barba cheia, túnica branca e morrendo por todos, só faltou a cruz. Depois vieram os tempos dos heróis da revolução. O fim da ditadura produziu inúmeros heróis, muitos deles ligados à religião. A partir daí apareceram os heróis políticos.

Mas agora? Quem são os heróis? Os políticos do tempo do heroísmo ou estão mortos, ou penduraram suas capas, ou não resplandecem mais. Os heróis da revolução, estes ou tornaram-se heróis políticos (dos quais já falei) ou se apagaram antes disto, ou morreram. Nestes anos perdemos a capacidade de memória, então heróis mortos não resolvem muita coisa. Os santos também estão mortos (até porque o elemento religioso não têm sido levado muito em conta ultimamente). Então, onde estão os heróis? NA TELEVISÃO.

 

A parte 2 será publicada no dia 15 de setembro.

Independência?

Publicado: setembro 7, 2009 em Política, Sociedade
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Salve os Dragões da Independência! Hoje é dia de celebrar a Proclamação da Independência. O vocábulo proclamar, aliás, é muito bem empregado aqui. No dicionário proclamar tem vários sentidos, um deles é promulgar uma lei. Bem, seguindo essa possível interpretação do termo posso crer que a Independência se deu por uma lei ou decreto que declara o Brasil um país … independente. Isso não pode dar certo. Lei aqui é uma coisa muito relativa. Algumas pegam, outras não pegam, depende muito da aceitação dos interessados.

Assim essa tal independência fica muito a critério da moda, da onda do momento. Quando a onda era a Inglaterra, nosso chá era deles. Quando os militares estavam na moda, estávamos de verde-oliva (e ficamos assim por mais tempo que os vizinhos, sinal de que gostamos mesmo da coisa). Aí veio a moda americana e nós aprendemos a comer chessburger com Coca-Cola. Com a globalização nos globalizamos. Teve BIRD, FMI. Enfim, vamos cumprindo o decreto de independência do jeito que dá.

Melhor seria considerar uma outra possibilidade de sentido para o vocábulo em questão. Arvorar-se em; tomar-se por. Como o louco que proclama-se Napoleão Bonaparte. Assim a proclamação teria sido um mero arvorar-se independente. Eu digo que sou independente e pronto. Fica mais fácil de entender a história do país dessa forma. É que estamos satisfeitos com o direito adquirido de disser bem alto INDEPENDÊNCIA OU MORTE. Alguns otimistas (governistas) declaram, baseados nos números da economia, que o Brasil está a alguns anos conquistando, de fato, a sua independência. Afinal de contas, só estamos presos ao gás do Chile, aos compradores de grãos, aos países com os quais temos acordos comerciais, aos organismos internacionais e alguns outros camaradas que só desejam nos ajudar a caminhar com as próprias pernas.

Mas tudo bem. Nossa independência nos garante pelo menos um belo feriadão de sol. Momento perfeito para os “excluídos” partirem em lotações para os balneários populares, ou fazer seu pagodão com cerveja e churrasco no quintal de casa.

Viva a independência!

Demo cracias

Publicado: setembro 1, 2009 em Política, Sociedade
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Hoje teclei no messenger com o meu primo Thiago e, entre diversos assuntos, caímos na ação dos soldados americanos para acabar com a ditadura militar de Sadan Hussein e instalar definitivamente a democracia no Iraque. Bravos heróis da liberdade.

Muitos foram os que criticaram ação militar no Iraque. Muitos se revoltaram diante de eventos considerados como criminosos e bárbaros. Mas vejam bem, o guerreiro não merece os espólios de uma guerra vencida? Afinal de contas, tudo isto não passa de um sacrifício menor em nome de um bem maior, neste caso a democracia.

Ah, a democracia. Quantos absurdos ainda serão realizados em nome dela. Aliás, o nome dela está na moda a muito tempo, a ponto de apenas Mianmar, Arábia Saudita, Brunei e o Vaticano não se declararem democráticos. Isso mesmo, até China e Koreia se declaram estados democráticos. A democracia está em alta. Ser democrático hoje dá status. É o novo nome do império.

Também pudera. Democracia vem do grego “kratos” (poder, força, majestade) e “demo”(que deve ser o demo mesmo). Pelo menos em alguns lugares onde ela aparece apenas como um título para garantir aceitação diante da comunidade mundial, ou onde ela é construída à custa da vida de milhares de inocentes, só pode ser o poder do demo mesmo. O “demo” grego, cidadão da polis, passa longe dessas experiências de governo.

Quanto aos arautos da democracia. Continuem suas cruzadas para levar a liberdade ao mundo. Afinal de contas, o que seria das grandes demo-cracias, sem as democracias de cidadãos destruídos pela guerra, pela fome, pela falta de educação, pela miséria…